Osteoporose

O que você precisa saber sobre a osteoporose

 

Dra. Tassiane Alvarenga, especialista em endocrinologia e metabologia pela USP.

Dra. Tassiane Alvarenga, especialista em endocrinologia e metabologia pela USP.

Doença que enfraquece os ossos, a osteoporose atinge 10 milhões de brasileiros, sendo que 70% das pessoas afetadas pela doença são mulheres. A osteoporose é caracterizada pela diminuição da massa óssea e apresenta como principal consequência o risco de fraturas. Para dar mais detalhes sobre a doença e os cuidados que devem ser tomados, a FOCO traz uma entrevista com a médica Tassiane Alvarenga, especialista em endocrinologia e metabologia pela USP. A Endocrinologia é a especialidade médica responsável pelo tratamento de doenças comuns na população como o diabetes, a obesidade, as tireoidopatias (patologias da tireóide), e a osteoporose. O entendimento do metabolismo do osso, uma alimentação balanceada rica em cálcio e vitamina D, aliados à atividade física, tudo isto desde a infância, é fundamental para a prevenção desta comorbidade.

 

O que é osteoporose? 

É uma doença osteometabólica frequente (relacionada ao metabolismo do osso), que cursa com redução da massa óssea e desorganização da microestrutura do osso, ou seja, acontece uma perda da qualidade do osso. Como consequência deste processo ocorre fragilidade óssea e aumento de risco de fraturas. Estas fraturas caracterizam-se por serem consequentes a mínimos traumas, aos quais o esqueleto normal consegue resistir facilmente. Então, histórias de fraturas após queda da própria altura, flexões de tronco, espirros, abraços mais apertados, levantamento de pequenos pesos, ou até mesmo fraturas espontâneas, são comuns e podem acontecer em pacientes com osteoporose.

 

Quais as causas e os fatores de risco mais comuns para a doença?

Didaticamente podemos dividir a osteoporose em duas formas: primárias e secundárias. As formas primárias são relacionadas a alterações do próprio metabolismo esquelético e incluem a osteoporose relacionada ao envelhecimento e a osteoporose relacionada a falta do estrogênio (hormônio feminino) nas mulheres na pós-menopausa. A osteoporose é mais frequente em mulheres pois na menopausa ocorre a diminuição da produção de um hormônio chamado estrogênio, provocando a perda de massa óssea e dificultando a produção de células ósseas.

 

Osteoporose

As formas secundárias são relacionadas ao uso de medicamentos como corticóide, anticonvulsivantes ou à alguma doença que o paciente apresenta e que altere a absorção de cálcio e vitamina D que são fundamentais para a saúde do osso (como doenças intestinais, cirurgia bariátrica, ressecção intestinal).

 

OS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO PARA OSTEOPOROSE SÃO:

• História familiar de osteoporose (é o fator mais importante, pois 70% da massa óssea é determinada geneticamente);
• Sexo feminino;
• Raça branca e asiática;
• Idade superior a 60 anos;
• Dieta pobre em cálcio e vitamina D;
• Tabagismo;
• Etilismo (relacionado ao uso de bebida alcoólica);
• Uso de corticóides, anticonvulsivantes, anticoagulantes, quimioterápicos;
• Doenças sistêmicas (doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC, doenças inflamatórias intestinais, doenças disabsortivas, cirurgia bariátrica ou ressecção intestinal, artrite reumatóide, lúpus, insuficiência renal crônica, hepatopatias);
• Imobilização prolongada.

 

Como a doença pode ser diagnosticada?

O diagnóstico da osteoporose é realizado através de um exame conhecido como densitometria óssea. É um exame simples, de baixa radiação que avalia a massa óssea da região que deseja ser pesquisada. São avaliadas as seguintes regiões: coluna lombar, colo do fêmur e fêmur total.

 

Osteoporose

Indicações para realização de densitometria óssea: 

• Mulheres acima de 65 anos ou homens acima de 70 anos.
• Adultos com fatores de risco para osteoporose (história familiar de fratura de quadril, baixo peso, doenças sistêmicas, medicamentos que causam perda de massa óssea como corticóide).
• Acompanhamento de pacientes com osteoporose já diagnosticada, seja para avaliar a eficácia do tratamento estabelecido.

 

Quais as principais consequências para pacientes com diagnóstico de osteoporose?

A osteoporose é considerada uma doença silenciosa, pois somente passa a ter quadro clínico após a ocorrência de fraturas por fragilidade. Portanto, o quadro clínico baseia-se na presença da fratura e nas suas sequelas. Existem, entretanto, as micro fraturas vertebrais assintomáticas, que podem ser detectadas ao exame radiológico da coluna, sem que a paciente relate um evento agudo de dor. As fraturas que ocorrem mais precocemente são as de antebraço distal consequentes ao uso das mãos como anteparo para uma queda ao chão. As fraturas que acontecem em idades mais avançadas são as fraturas de fêmur proximal, em 95% das vezes associadas a quedas. Essas fraturas geralmente necessitam de correção cirúrgica.

Uma alimentação rica em cálcio e vitamina D é ideal para prevenir osteoporose. Quais os alimentos recomendáveis?

As principais fontes dietéticas de cálcio são leite e seus derivados (queijo, iogurte, requeijão, coalhada e outros), peixes oleosos como sardinhas em conserva, cogumelos (como tofu) e algumas castanhas. As outras fontes alimentares representam muito pouco na ingestão diária e incluem principalmente vegetais verde escuro (couve, brócolis, rúcula). As quantidades mínimas recomendadas de cálcio de acordo com a faixa etária são:

• Crianças e adultos: 800 mg/dia;
• Adolescentes, gestantes e lactantes: 1.200 mg/dia;
• Mulheres pós-menopausadas: 1.000 mg/dia.

 

Osteoporose

A vitamina D é um hormônio produzido na pele em resposta aos raios ultravioletas e que precisa passar pelo fígado e pelo rim para se tornar ativa. Esta vitamina estimula absorção de cálcio no intestino e é fundamental para a formação óssea. A vitamina D está presente ainda em alguns alimentos como cogumelos, peixes oleosos ou de derivados de leite enriquecidos em vitamina D (leite e iogurte).

Qual é o tratamento indicado para os pacientes com diagnóstico de osteopenia/ osteoporose?

O melhor tratamento da osteopenia e osteoporose é a prevenção. Esta prevenção deve ser iniciada na infância, para todos os indivíduos, com adequada ingestão de cálcio e vitamina D, exposição solar e atividade física.

O diagnóstico e tratamento precoce destes pacientes tem como principal objetivo evitar a ocorrência de fraturas. É muito importante também a prevenção de quedas. Desta forma, deve-se evitar pisos escorregadios, não andar pela casa no escuro, descer a escada sempre segurando o corrimão, dentre outras medidas.

Fonte de calcio nos alimentos

 

O tipo de atividade física mais recomendada é de resistência e impacto como musculação ou pilates com carga. Se o paciente apresentar dificuldades, pode-se tentar fisioterapia, hidroginástica, ou outros tipos de exercícios mais leves e com menor impacto.

Para concluir, o entendimento do metabolismo do osso, uma alimentação balanceada rica em cálcio e vitamina D, aliados à atividade física representam os pilares do tratamento. Existem ainda medicações que inibem a reabsorção óssea ou estimulam a formação óssea e que podem ser indicadas para pacientes selecionados. Enfim, cuidar da saúde do osso é garantir um envelhecimento saudável e com qualidade de vida.

Renato Rodrigues Delfraro

O que você precisa saber sobre a osteoporose.
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