Obesidade

Considerações atuais sobre essa doença que cresce a cada dia

A Endocrinologia é a especialidade médica responsável por várias doenças prevalentes na população como o diabetes, as doenças da tireoide, a osteoporose e a obesidade.O tecido adiposo é visto atualmente como um grande órgão endócrino, pois produz uma infinidade de hormônios e proteínas de importância para nosso organismo.
Dra. Tassiane Alvarenga, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela USP:

Dra. Tassiane Alvarenga, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela USP: “Para que o emagrecimento aconteça e seja sustentado, é importante uma parceria entre o médico e o paciente.” Foto: Eloisa Silveira

Hoje, neste artigo discutiremos sobre a obesidade, doença que tem se tornado uma epidemia e que merece abordagem e tratamento individualizado. Representa ainda, um dos principais fatores de risco para hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes melito tipo 2 (DM2), dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, osteoartrose e neoplasias.

 

Nos últimos anos, a obesidade tem sido considerada uma doença metabólica e neuroendócrina que resulta da interface entre um ambiente obesogênico e uma predisposicão genética. Estudos evidenciam que para compreender porque o indivíduo engorda é fundamental o entendimento do funcionamento do nosso cérebro, onde existem o centro da fome e o centro do prazer de comer, além de vários estímulos periféricos do trato gastrointestinal e tecido adiposo que vão informar para estes centros cerebrais o status energético do indivíduo.

 

É importante ainda, entender se o paciente está comendo em excesso por apresentar muita fome ou se é apenas uma forma de aliviar a ansiedade e a tensão. Além disso, precisamos identificar o padrão alimentar do paciente, ou seja, se é predominantemente beliscador (belisca entre as principais refeições) ou hiperfágico (fica longos períodos sem se alimentar, mas exagera nas refeições principais).

 

Fome.

Na prática clínica o cálculo do índice de massa corporal (IMC), representado pelo peso (em quilos) dividido pelo quadrado da altura (em metros), é ainda o índice mais utilizado para o diagnóstico da obesidade. O IMC tem cálculo simples e rápido, apresentando boa correlação com a adiposidade corporal. A limitação desse método é que além de não distinguir gordura central de gordura periférica, o IMC não distingue massa gordurosa de massa magra, podendo superestimar o grau de obesidade em indivíduos musculosos.

 

Outros métodos de avaliação da composição corporal:

 

Medida da circunferência abdominal: esta medida deve ser realizada no ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca.

 

Pregas cutâneas: São nove pregas cutâneas principais – subescapular, triciptal, biciptal, peitoral, axilar média, suprailíaca, abdominal, coxa anterior e panturrilha média.

 

• Bioimpedância: Este exame é considerado o padrão ouro na avaliação da composição corporal, permitindo avaliar com precisão a massa de tecido adiposo (massa de gordura) e a massa de tecidos magros (massa muscular) substituindo com vantagem o método da medida da espessura das pregas cutâneas, que possui grande variabilidade entre os examinadores. Divide-se o organismo em dois compartimentos (massa gorda e massa livre de gordura). Mostra nos resultados (conforme figura acima): peso, altura, IMC, massa muscular, massa de gordura, porcentagem de gordura corporal, assim como a análise comparativa com dados anteriores do próprio paciente. Além disso, avalia a taxa metabólica basal que representa o número de calorias que cada indivíduo gasta ao longo de um dia.

 

Aparelho de Bioimpedância

Aparelho de Bioimpedância. Imagem: Reprodução

O tratamento da obesidade deve ter como objetivo a melhora do bem-estar e da saúde metabólica do indivíduo, diminuindo os riscos de doenças na vida futura, ou seja, a perda de peso é apenas a fase inicial do tratamento, sendo a manutenção do peso perdido o objetivo principal. Assim como outras doenças como a hipertensão, a dislipidemia, o diabetes, as doenças reumatológicas e psiquiátricas, também a obesidade precisa ser tratada como uma doença crônica e por toda a vida, para que o sucesso do tratamento seja alcançado. Perdas da ordem de 5% a 10% podem melhorar todas as patologias relacionadas à obesidade e a qualidade de vida como um todo. Deve-se ainda encorajar objetivos “atingíveis” com expectativas realistas. Este tratamento envolve um tripé: dieta, atividade física e tratamento farmacológico (quando indicado).

O tratamento farmacológico da obesidade está indicado na presença de IMC maior que 25 kg/m2 (pacientes com sobrepeso) com outras doenças associadas à obesidade ou em pacientes com IMC maior que 30 kg/m2, quando ocorre falência do tratamento não farmacológico (dieta e atividade física) isoladamente. O exercício aeróbico (como caminhar, correr, nadar e outros) pode promover perda de peso e de massa adiposa. Exercícios de resistência (como musculação, ginástica localizada) têm efeito menor sobre o peso, porém aumentam a massa livre de gordura (músculo). Além disso, o exercício regular é importante na manutenção de peso. A dieta a ser elaborada deve ser personalizada, exclusiva e levar em consideração a taxa metabólica basal avaliada na bioimpedância. Não existe dieta milagrosa e é fundamental que apesar da restrição calórica que é necessária para perder peso, a dieta seja equilibrada e rica em vitaminas, fibras e minerais.

 

A prevalência da obesidade, aumentou dramaticamente nas últimas quatro décadas, atingindo cerca de 15% da população brasileira, e registrando ainda índices de 40-50% de sobrepeso. São necessárias medidas para frear este aumento.

 

Enfim, para que o emagrecimento aconteça e seja sustentado, é necessário uma parceria entre o médico e o paciente, ou seja, é preciso “emagrecer juntos” associando uma dieta hipocalórica equilibrada + exercício físico e tratamento farmacológico individualizado quando indicado.

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